2.7.15

Literatura quase erótica.




Não vou dizer que sou ruim de cama, porque isso depende de muitos fatores. Vou dizer que nunca fui muito seguro de mim mesmo na cama. Isso não tem nada a ver com o desejo ou a falta dele, pelo menos não no meu caso. Difícil não sentir desejo diante do corpo feminino nú e que deseja de volta. Mas meu comportamento inseguro na cama piorou acentuadamente depois do meu relacionamento problemático, que sinceramente enjoei de falar aqui. Gosto de falar das sequelas, entretanto, porque eu vivo as sequelas e porque a importância das sequelas pode se agravar e muito com quem tem doença bipolar e está num momento de crise. Então é um assunto de interesse pro blog. 

Acho que não tem nada pior que brochar e ver que a parceira pensou os motivos absolutamente errados pelos quais eu brochei. É brochei ou broxei? Pois. Não acontece tanto assim, mas acontece. Eu não entendo porque a maioria das mulheres parece ter como primeira ideia nessa hora que foi culpa delas. Não foi, essa regra é quase absoluta. A exceção é quando a mulher que está ali naquele momento faz ou diz alguma coisa que vise estragar o próprio momento. Mas daí ela sabe o que provocou, porque ela quis provocar. Passei por isso nesse relacionamento problemático. Mas não é dele que eu quero falar. É da sequela. 

E uma das sequelas é que até hoje, após quase um ano no meu novo relacionamento, eu não consegui me sentir a vontade para discutir isso com minha namorada. Travei, da mesma forma que travei pra transar de luz acesa. Estou há um ano no escuro. Outra sequela. É uma merda isso. É como ter regredido a uma época que eu nunca vi, porque eu nunca vivenciei isso, desse jeito, nesse nível. Sempre me senti inseguro na cama, mas não a esse ponto. E eu sei o que estou perdendo com isso. Ela tem 24 anos de idade, com um corpo de 24 anos de idade, ela é uma delícia e eu perco o estímulo da contemplação, mas isso também não me faz brochar. Mas eu sinto falta de vê-la nua, em detalhes, o problema é que pra isso acontecer, eu também vou ter que estar sem roupa, a não ser que eu me vista de cientista louco, tipo isso, essas idiotices do 50 tons de cinza. Enfim, pensando melhor aqui, não vou entrar em maiores detalhes, sobre outras sequelas sexuais, acho que já deu para se ter um quadro do que eu quero dizer. 

Se eu não estivesse com o meu pensamento organizado como ele anda organizado há um ano, eu não conseguiria por em palavras aqui essa situação. Confesso que escrever esse texto no blog é uma preparação para que eu e a namorada possamos ter "a conversa". Uma coisa importante, a propósito, é um outro motivo pelo qual eu não tive "a conversa":  Tenho medo que após ter "a conversa", as coisas mudem para pior. Não me pergunte o porquê, só faz um sentido sórdido na minha mente bipolar que ter "a conversa" pode resultar em algo negativo. E eu não quero perdê-la. Aprendi com essa doença e as intempéries que ela provoca, que é melhor parar para analisar algo conflitante antes de expor. A forma como se fala, vocês entendem. 

Estou namorando há praticamente um ano, é justo dizer que tivemos uma pequena discussão, que não foi nada além disso, porque entre nós, felizmente, existe um dos componentes mais poderosos de um relacionamento: o respeito mútuo. A discussão se deu hoje, pela manhã, no carro. Eu vi que ela estava chateada com alguma coisa. Perguntei se ela estava chateada com alguma coisa. Ela disse que não. Deixa eu falar sobre isso com quem convive com bipolares: não minta. Porra, não minta. Se um bipolar te pergunta se você está chateado e você realmente está, mas diz que não está, simplesmente porque não quer falar a respeito, você não faz idéia do que isso vai provocar no bipolar. Só não faça isso. Diga que está chateado e que não está preparado para discutir aquilo naquele momento, mas porra, não minta, sabe por que? Porque se você mentir, dizendo que não tem nada de errado, quando ele percebeu que tem, ele vai sentir o próprio estômago revirando com pensamentos sobre o quanto ele está paranóico, por achar que você tem algo que não tem, quando você tem. Isso pode não ser particularmente pesado no seu mundo de gente normal, mas pra quem tem essa doença e está o tempo todo procurando não parecer tão louco assim, sua sinceridade é a certeza que ele não estava paranóico, pelo menos não naquele momento e a longo prazo isso vai ajudar o bipolar no caminho da descoberta que ele, como todo ser humano, tem que fazer de si mesmo, pois ele vai conseguir identificar melhor o que é do mundo e o que é da mente. Então, não seja egoísta. Não minta. 

Foi isso que eu disse a ela, quando ela admitiu que sim, estava com um problema no estúdio, um problema que por ela mentir inicialmente, dizendo que não tinha nada, virou na minha mente, no momento em que ela mentiu, um pensamento paranóico que eu era parte do tal problema. 

Um ano, uma única e boba discussão. Sim, nós bipolares, para o pavor da família tradicional, somos loucos, de uma maneira geral, eu não diria somos, eu diria estamos. Quando o tratamento está sendo o tratamento correto, a tendência é perder de vista a loucura, tipo, "opa, onde ela foi?". É assim mesmo. Sim, na crise, trazemos o caos. E se você alimenta o caos na crise, nós trazemos a guerra. 

Fui.  










4.6.15

Selvagem

Cortei a bupropiona por conta própria. Vou na psiquiatra amanhã ver isso. Provavelmente eu fiz errado. Eu sei disso, foda-se. Acabou há 6 dias atrás e como eu ando assim meio sendo eu mesmo, eu me sabotei pra fazer o que eu tenho que fazer, não indo logo de uma vez pegar a receita. Eu me permito essas coisas, hoje em dia, tipo, eu percebo que eu me saboto, daí eu deixo eu me sabotar um pouquinho primeiro, que eu sei que um lado meu fica feliz e daí eu faço o que eu tenho que fazer, que neste caso, bem, sei que fiz errado mas ficar sem o antidepressivo não é nada comparado a ficar sem meu estabilizador de humor (Eu acho), não pera. Eu acho mesmo, é achismo mesmo e sabe o que? Eu tenho o direito de achar. Dez anos se passaram e tudo o que eu consegui foi uma colaboração medicamentosa em 3 períodos de 3 a 4 anos cada. Eu diria que me observei o suficiente pra concluir isso. Uma coisa que eu aprendi e aprendendo mudei meu discurso nesse blog é sobre a necessidade do medicamento, mesmo que como colaborador. Não dá pra esperar mais do que isso, mas isso é necessário. Só que quem é mesmo que define a necessidade? Que tal eu, o louco, nos meus momentos de lucidez? Momentos de lucidez variam com a doença e podem ser mais lúcidos do que o de muitas pessoas que só tem a lucidez em sua vida. Não estou criticando, a propósito, só tenho minhas dúvidas sobre o quanto deve ser chato tipo, muito, ser assim, lúcido, sem grandes emoções. Chato e não necessariamente com ótimos valores. Opa, mudei de assunto aqui. 

Jamais posso ficar sem meu estabilizador de humor, só que, como eu demorei me sabotando, claro, a última dose é essa noite, porque o agente secreto aqui (!) conseguiu marcar pra amanhã  a consulta na minha psiquiatra, que entende minha loucura como pouca gente. Ela não vem com liçãozinha de moral do tipo "ei, você só marcou sua consulta de última hora porque se sabota e eu não vou permitir isso, não vou te atender", ou estupidez que o valha. Eu concluo isso após todos esses anos sem vê-la. Quem descobriu minha doença foi a primeira ex. Mas quem deu a primeira receita que eu admito, deu certo, na época, apesar dos efeitos colaterais, foi essa psiquiatra.  E quando eu falo "deu certo apesar dos efeitos colaterais" eu quero dizer que estabilizava meu humor mas dava sonolência. Daí eu estava desesperado na época, isso foi em 2004, acho, e troquei de psiquiatra. Não quero dizer os medicamentos que alguns psiquiatras sádicos receitam que transformam seu paciente numa batata. Teve um post que eu escrevi aqui acho que em 2005, quando já estava com esse novo profissional, um post dizendo que a ausência de sentimentos é pior que a depressão. Eu sei como estava minha vida na época. Mas essa foi uma outra psiquiatra, que eu acho, era medrosa na verdade, e me viu e deve ter me achado um monstro, do tipo daqueles serial killer lutadores zumbi, e me receitou uma montanha de remédios, entre eles o Lítio, mais Depákote, Depakene, mais algum, tudo meio junto. E passaram-se 7 meses, veja bem, 7 meses, e eu tomando essa merda, que me deixava na época peguntando pra primeira ex se eu devia ir no banheiro, isso quando eu estava com vontade de ir ao banheiro, mas achava que era uma cilada, tipo isso, eu não tinha certeza se eu queria mesmo ir ao banheiro. a medicação me embotou e me deixou aéreo ao extremo, então naquela época, eu não tinha condições de exercer os atos da vida civil, por assim dizer e cheguei a 120 kg, isso com 30 anos. Então eu tenho condições de achar uma vez, de cortar o que eu duvido, não cortar o que eu tenho certeza, me sabotar se deixa um lado meu feliz e resolver cortar o antidepressivo porque me sinto bem pra isso. 

Eu tive uma história complicada com medicação. meu humor não esteve estabilizado como agora ou como esteve em outros dois grandes períodos, mas mais estabilizado dessa vez, que agora eu to mais casca grossa também pra lidar com isso. E ficar casca grossa conta, muito. Fugir do seu transtorno não vai te salvar nem fazê-lo ir embora, a não ser que ele seja um transtorno daqueles passageiros, tipo síndrome do pânico, ou a doideira puerperal das mães, quem sou eu pra julgar, acredito muito mais hoje em dia na realidade do desequilíbrio desses transtornos do que no meu talvez amigo, talvez imaginário, Jesus. Esses transtornos são estados de desequilíbrio real, lidado por uma medicina que não consegue consertar um joelho ruim, talvez, que dirá um cérebro. Reconheçam, psiquiatras: é tentativa e erro e muita emoção no meio. E cuidem: somos humanos. Quer ser sádico, espere o troco, em se tratando de loucos, um dia vem. E ah, não falo por mim não. haha

Minha psiquiatra atual já participou da minha história, anos atrás. Vou fazer um comprativo com o boxe pra explicar minha psiquiatra: No boxe, todo mundo já ouviu falar em Muhammad Ali, o melhor boxeador peso pesado do mundo. Enfim, o Ali chegou onde chegou por causa do treinador dele. Tivesse o Ali pego qualquer outro treinador e seu boxe não seria o mesmo. E o que esse treinador do Ali fez por ele? Muito simples: ele deixou o Ali lutar seu estilo próprio. Ele deixou o Ali ser ele mesmo. E o Ali, sendo ele mesmo, foi grandioso, Pessoalmente, eu o considero o maior atleta que já viveu, não só pela maestria dele em boxe, mas por quem ele era como pessoa. E como pessoa, ele se conhecia, sabia o que queria, o que não queria, e se afirmava sendo assim. Ali só foi Ali por que Dundee, seu técnico, abriu a ele a possibilidade de boxear seu próprio boxe, seu próprio estilo. E a gente via o que mais parecia um bailarinho no ringue, esquivando de cada golpe por milímetros, acertando brutalmente seus golpes, exercendo com nobreza o que é chamada de "a doce ciência". Pois assim é minha psiquiatra: ela deixa eu ser eu mesmo. Ela não me estressa. "Tudo bem, vou viajar meio dia na sexta, espero você as 10 e meia". Uma mensagem pelo face. Eu sou um louco com noção das coisas. Eu não uso o face, jamais, pra perturbá-la com nada dos meus problemas. Para isso existe a consulta. Ela sabe disso, ou eu não teria seu face, tenho certeza. 

No caso do antidepressivo, que eu cortei por conta própria, o certo, eu acho, é eu reduzir a dose paulatinamente e não cortar de uma vez. Mas me pergunta se eu brinco disso hoje em dia com o estabilizador de humor? Eu sei qual é o meu caso. E sei por causa dessa psiquiatra. Ela me receita medicações que deixam eu ser eu mesmo. Ela respeita minhas consultas sempre de última hora porque eu me saboto e ela sabe que é assim e sabe que eu vejo isso e não fica cagando regra, como uma merda de profissional manipulador tão burro que nem percebe quando está fazendo isso. A última vez eu brinquei de cortar estabilizador de humor foi quando tudo estava no mais completo buraco, no que eu via como o final de uma relação. O estabilizador de humor é a base do meu humor. mas sobre o antidepressivo, não é a mesma coisa. Não me sinto infeliz há muito tempo, Pode ser que é porque esse tipo de antidepressivo que eu tomo age por depósito, ele vai pouco a pouco se acumulando e depois leva um tempo pra ele baixar, vai saber que química doida age quando isso acontece, como agora, que eu não tomo o meu antidepressivo há uns 6 dias. 

Amanhã tem consulta. Para manter o que está bem, equilibrado, estabelecido. Sei que não é assim pra muita gente. É uma luta. E uma luta é o controle do caos. 

Então lute . Pra controlar o caos. 

Fui. 
Feliz, que voltei. haha

2.6.15

Só rio.

As campanhas de difamação que eu enfrentei, ahahaha. Duas, primeiro a ex e depois a outra ex. A primeira ex tinha razão, eu pisei na bola mesmo. O pensamento da auto ajuda dominante tem razão, nunca é culpa de um só. Opa, nem sempre, Com a outra, foi sim. Foi cupa só dela. É isso aí. Eu já era louco. Provocar louco é a pior coisa que alguém pode fazer. Culpa dela. ahahahaha

Me difamava, pense numa raposa que desde o início do relacionamento, distorcia tudo e contava os maiores absurdos pra todo mundo, pelas minhas costas. Ficou claro que ela nunca me quis, desde o início, mas por outro lado tinha esse comportamento perturbado de me seguir e não querer terminar. Então, eu nunca vou entender o porque, mas depois de muito refletir, reduzi a duas possibilidades: ou se trata de uma sádica cruel que só tem um prazerzinho meia boca produzindo sofrimento ou ela se arrependeu tanto, desde o início, mas ficou tão zoada porque foi impulsiva demais em terminar seu casamento que pra não voltar atrás e ficar feio, começou a produzir toda espécie de discurso de ódio contra mim, pra todo mundo, meus pais, meus amigos, a empregada, o grupo que já a deixava de lado por conta de seu comportamento antisocial. 

Enfim, as campanhas de difamação que eu enfrentei, elas me ensinaram uma coisa muito importante: é, foda-se. FODA-SE. FODA-SE. Eu sei quem eu sou. Minhas filhas que vivem na mesma cidade que eu sabem quem eu sou. Eu não estou atrás de reputação. Isso é coisa de sociopata. Eu estou atrás de paz de espírito e hoje eu tenho isso. Devagar as pessoas vão vendo quem são as pessoas. E eu estou sendo visto. 

Fui